Jô Soares, tão elegante, desistiu de se candidatar à cadeira de Jorge Amado na Academia Brasileira de Letras quando soube que a viúva, Zélia Gattai, também era candidata. Ela levou.
Lud pergunta: já ouviu falar num livro do Monteiro Lobato que fala sobre a eleição para presidente dos EUA entre um negro e uma mulher?
Nunca ouvi, e fui pesquisar.
"O Presidente Negro" é considerado o único romance adulto de Lobato, escrito em 1926, e é criticado por expor sentimentos racistas. Baixei para ler. Vamos ver se há mais alguma semelhança entre os pré-candidatos Obama e Hillary. Já deu pra sentir no texto o jeitão futurodoido de HGWells: as pessoas trabalham de casa e mandam suas tarefas para a empresa por sinal de rádio.
Detalhe: a capa da 13ª edição, única encontrada na web, traz a ilustração de uma moeda de dólar com a efígie de um negro e a data de cunhagem: 22 de fevereiro de 2228.
O título do post, facada de simplicidade, é do DJ Anaconda. Se há algo que me perturba mais do que música eletrônica, são os graves da música eletrônica. E as luzes das festas de música eletrônica. Mas o problema são os graves. O vizinho chega em casa e liga seus technoacidhousetrancediscodrums em volume que ele suporta, mas os graves atravessam a velha parede de 40cm de tijolos sólidos e explodem minha cabeça.
Lá fora, agora, depois de horas de montagem de palco e testes de som durante a madrugada, os DJs começam a se revezar na primeira festa da parada, com graves e mais graves. Cada pancada incha um grupo de neurônios; pancadas rápidas e desordenadas incham e desincham todos ao mesmo tempo.
Sem contar a britadeira que britou desde a 1h e o desfile de sirenes em busca de algum incêndio perdido.
Quando Renato Aragão previu o surgimento das raves, em 1978, no filme "Os Trapalhões na Guerra dos Planetas", a música era muito mais Schoenberg, Phillip Glass, no máximo Kraftwerk. Ah, se tivesse continuado assim, não seria tão grave.