Jewrett passava o dia todo à porta da padaria, disfarçada: blusinha, minissaia e um abajur na cabeça. Portava uma baguete na mão esquerda e um cacetete na direita. Quando um cliente apertava a baguete, ela lhe porretava a cabeça. Sempre foi assim. Alguns clientes nunca aprendem.
Um dia, Johnson, guri de 14 anos, novo no bairro, foi à padaria e, à porta, apertou os seios de Jewrett. Os dois se casaram, tiveram quatro filhos no período de três anos e morreram num acidente de trem na Pensilvânia.
Hoje, dois de seus filhos são sócios numa pizzaria. O terceiro, rebelde, optou por ser balconista de pastelaria.
Eliane Cantanhêde levanta questionamento, hoje, na Folha, sobre a visita de McCain à Colômbia, bem no dia da libertação de três reféns estadunidenses e de Ingrid Betancourt, a "Mandela de saias"
Há quem diga que até os 18 anos o tempo segue lento, que os anos demoram a passar. Daí em diante, porém, a velocidade começa a assustar. Quando se dá conta, já se está com 30, 40, 50 anos, e os balanços das realizações, ou não realizações, passam a ocupar mais espaço na mente do que os projetos para o futuro. Tudo muito subjetivo, na verdade, já que cada pessoa dá valor diferente ao "peso" da idade. Mas dificilmente alguém fica indiferente a uma demonstração concreta dessa corrida. É o que acontece quando se visita o site do argentino Diego Goldberg.
Desde 1976, o fotógrafo Diego registra imagens de sua família, sempre no dia 17 de junho. No começo eram ele a mulher, Susy. Depois, vieram os filhos: em 1978 nasceu Nicolás; em 1979 veio Matías e, finalmente, Sebastián chegou em 1984. Os registros foram para a Internet em 2000, com o nome "A Flecha do Tempo" e, desde então, o site vem angariando fãs pelo mundo, que esperam para ver o resultado da passagem dos anos nos rostos dessa família de Buenos Aires. Em 2008, nada aconteceu no dia 17 de junho. Nem no dia 18, 19, 20... até que, no fim do mês, a página foi atualizada, com uma surpresa: Nicolás se casou com Paula e criou sua própria "flecha do tempo", transformando a página numa verdadeira árvore genealógica fotográfica.
Diego Goldberg falou sobre o projeto em entrevista por e-mail ao BOL. Tá aqui.