A Folha e Caetano. Bem, a Folha e Caetano. Ah... a Folha... e o Caetano. A Folha, Caetano, Caetano, Folha, Folha, Folha, Caetano, Caetano. Caetano? Folha. Folha? Folha, mas Caetano.
Além disso, tem a Folha e o Caetano. A Folha, o Caetano, o Caetano, a Folha. O Caetano e Folha. Folha, Caetano, Folha, Caetano, Folha, Caetano. Caetano e Folha.
E agora também tem o Estado. O Estado, a Folha, o Caetano. Caetano, Folha, Estado.
A vida deveria ter pontos de restauração do sistema.
O sujeito tá lá, tocando a vidinha dele, sossegado. Aí, de repente, acontece alguma coisa que faz tudo mudar de rumo. Pode ser um acidente, uma pessoa que conheceu no elevador, um presente que não serviu, pé torcido na calçada, relógio esquecido no criado-mudo, enfim.
E pronto, aquilo vira um entrocamento e o Onofre, vamos dizer que seja esse o nome do sujeito, entorta 22 graus a estibordo na longa estrada da vida. Sabe o que vem depois?
Bate o carro, no dia seguinte vai trabalhar de ônibus, vê uma placa de emprego numa fábrica, se candidata e pronto, mudou tudo.
Esbarra em alguém no elevador, pede desculpas, a pessoa puxa assunto. Cê trabalha aqui? Trabalhava, vim pedir a conta. Ah é? É. E agora? Arranjei um emprego numa fábrica de conduíte aqui perto. Pô, legal. Será que tem alguma coisa pra mim lá? Só vendo.
E pronto, aquilo vira outra seqüência de entrocamentos, desvios, placas de contra-mão e apitos do guarda.
Vai que um dia o Onofre, nosso sujeito, se toca de que o negócio não anda muito bom pro lado dele. Só dá M. Aí ele começa a pensar: onde foi que eu errei? E chega até aquele ponto, aquele dia, o acidente, o elevador, a camisa tamanho 2, o pé torcido na calçada, o Citizen deixado no criado-mudo, enfim.
Ah, se ele pudesse voltar àquele dia e fazer tudo diferente. Afinal, a vidinha dele tava indo bem, tudo sussu. Agora esse cara, que eu nem conhecia, puxa meu tapete na fábrica. Ah, se o Onofre pudesse voltar no tempo e brecar antes de bater no Toyota não teria ido de ônibus, teria continuado no escritório de contabilidade; estava pra receber uma promoção e largou tudo. Se ele pudesse, voltaria lá, restauraria o sistema operacional e deixaria tudo redondinho, como estava, na zona de conforto.
É, é isso. A vida deveria ter pontos de restauração do sistema. Vou implementar o recurso nas próximas versões.
* nunca faz hoje o que pode deixar para amanhã * anota tudo o que tem pra fazer e perde o papel * esquece de tomar Ritalina * ou toma e deixa terminar a caixinha. Aí não consegue mais ligar para o médico, marcar consulta, pegar receita e comprar outra caixinha * chega sempre atrasado à consulta e ainda tem que esperar 20 minutos pelo médico * compra DVD na promoção e duas semanas depois compra o mesmo título, em outra loja * se irrita quando tiram barato porque o nome do filme comprado duas vezes é Amnésia * pede água gelada sem gelo e se irrita quando o garçom insiste no 'gelada ou sem gelo?' * cadastra a conta de luz no débito automático e paga de novo quando chega o comprovante * reclama que o sistema do banco não presta depois de digitar três vezes a senha da outra conta