Roberto Moreno



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    Pirâmides no pulso

    O post do GigaBlog sobre relógios com joguinhos clássicos deu saudade do velho Casio Pirâmide (Casio Game 40).

    É este que aparece aí na foto de formatura de 8ª série, em 1982.

    O jogo funcionava como o Tetris: os triângulos caiam de discos-voadores e deviam ser empilhados sobre os homenzinhos, sem deixar espaços vazios.

    E eu tinha 35 quilos a menos que agora.

    roberto moreno relógio casio game 40 pirâmide



    Escrito por  Roberto Moreno às 19h26
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    Alegre demais

    Avenida Ipiranga, onze da manhã.

    Em frente ao ponto de ônibus, uma mulher, sentada na calçada, canta e gesticula. Ela olha para mim e faz sinal de positivo. Retribuo o gesto, e ela se aproxima. Estaria sorridente, se tivesse dentes:

    - Hoje é meu aniversário.

    - Parabéns!

    - Olha o que fizeram comigo.

    A mulher volta a cantar e gesticular.

    - É que eu sou muito alegre.

    - Isso é bom...

    - Você acha? Ser alegre demais é triste.

    Meu ônibus se aproxima.

    - Tchau.

    - Tchau.

    Avenida Ipiranga, onze da manhã. Finalmente pude sair de casa, graças a uma chuva fininha e temperatura abaixo dos 22ºC.



    Escrito por  Roberto Moreno às 11h54
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    Verbete: Dr. House

    Hugh Laurie é um ator americano, nascido na pequena cidade de Monty Phyton, na Inglaterra Vitoriana. Filho do também ator Stanley Laurel e da multiprocessadora Laurie Anderson, o pequeno Hugh desde cedo resolveu que seria médico. Seu passatempo era ler bulas de remédios, chegando a possuir uma buloteca com mais de 3.491 exemplares - 3.492, para ser exato -, que foi destruída por seu irmão mais novo, Hugh Grant. Apesar de ser pego com a boca na botija, Hugh, o Grant, negou tudo, e Hugh, o Laurie, foi expulso de casa sob a acusação de acusar o irmão injustamente. Na saída, tropeçou acidentalmente no pé do maninho e quebrou a perna esquerda. Sozinho no mundo, manco e sem dinheiro, levando apenas um velho paletó e uma bengala, Hugh, o Laurie, teve de trabalhar para se sustentar e para sustentar seu vício em balinhas TicTac. O único emprego que conseguiu foi como chapeiro num decadente restaurante de beira de estrada nos arredores de Londres, especializado em peixe com batata-frita, chamado Stephen Fry's. Como o restaurante só trabalhava com frituras, o jovem chapeiro passava o dia todo observando os poucos clientes que adentravam ao estabelecimento, como o músico maranhense Zeca Baleiro. Foi um grande aprendizado. Mais tarde, conseguiu emprego como comediante stand-up num navio que seguia para o Kansas, nos Estados Unidos. Enjoado da viagem, montou num cachorro cinza e partiu para Nova Jersey, onde passou a trabalhar como médico, profissão que ostenta até os dias atuais. Nas horas livres, toca piano e violão, joga golfe, trapaceia no pôquer e lê os ensinamentos de Sir Arthur Conan, o bárbaro Doyle, e seu implacável araponga Sherlock House.



    Escrito por  Roberto Moreno às 13h29
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    Wincar

     

    Estou atrasado para o trabalho. Engulo um café puro e corro para a garagem. Entro no carro, coloco o cinto e dou a partida, quando uma ampulheta começa a girar no painel.

    O desenho de uma janela estilizada no centro do volante me lembra que agora os carros são obrigados a ter um sistema operacional instalado "de fábrica", "para melhorar a experiência do usuário", diz a propaganda oficial. 

    E uma ampulheta gira no painel.

    Tempos depois, a ampulheta dá lugar a um retângulo com mensagens enigmáticas. Aguarde. Verificando componentes do kernel. Verificando biela. OK. Verificando virabrequim. OK. Verifricando cárter. OK. Uma infinidade de verificações e OKs. De repente, o retângulo some, e a ampulheta não aparece. Espero uns cinco segundos sem que nada aconteça e tento dar partida novamente, mas a chave não vira. Ouço um estalo e as portas se travam automaticamente. Outra mensagem no retângulo: Validando autenticidade do condutor. Por favor, insira sua carteira de habilitação no porta-luvas. Você não poderá sair do veículo durante este processo. Buzine para confirmar.

    Fom-fom. 

    Erro. Validando autencidade do condutor, tudo de novo. 

    Ah, já sei, não poderia ter buzinado duas vezes. Buzine para confirmar. Fom. Parabéns! Sua autenticidade foi verificada com sucesso.

    Mais mensagens. Analisando componentes de segurança. Olha a ampulheta lá de novo. A versão de seu cinto de segurança parece estar desatualizada. Deseja se conectar à loja de autopeças para consultar atualizações? Você não poderá dar partida com componentes de segurança desatualizados. Sim, conecte à loja de autopeças. Baixando cinto de segurança de três pontos 3.0. Ampulheta. Mensagens no retângulo: Sistema de freios OK. Airbag frontal OK. Airbag lateral OK. Agora as mensagens se alternam desesperadamente no retângulo. Mal consigo ler. Mais alguns minutos e uma ação é requerida. Componetes de segurança atualizados. Você deve sair do veículo e entrar no veículo para que as alterações tenham efeito. As portas se destravam. Saio, olho para os lados disfarçadamente para ver se algum vizinho paga semelhante mico e volto a entrar no carro. Coloco o cinto. Dou a partida. Uma ampulheta começa a girar no painel.

    Finalmente consigo pôr o carro em movimento, mas só até a primeira esquina. Enquanto espero o semáforo abrir, percebo que o motor silencia. As luzes do painel piscam e o maldito retângulo cinza surge, todo tímido, mas prepotente: O motor executou uma operação ilegal e será desligado. Pise na embreagem, engate o ponto-morto e puxe o afogador simultaneamente para reiniciar.

    Ah, que delícia a tecnologia. Esqueço que estou atrasado e nem percebo os quilômetros que me separam do escritório: música polistereofônica por comando de voz, aproximação de outros carros detectada por infravermelho, barbeador automático pré-configurado para o modo reunião com a diretoria, refrigerante light gelado em uma das doze portas USB, recados da secretária eletrônica pelo viva-voz bluetooth, banco com massageador, ajuste de gravata com as opções windsor, meio-windsor, esportivo... enfim, um carro com múltiplas possibilidades de utilitários, lazer, relaxamento e... um cachorro!!!!! Um cachorro cruzando a pista!!! Afundo o pé no freio e, antes de fechar os olhos esperando pelo impacto, ainda leio no painel: Tem certeza que deseja frear?  Ufa, deu tempo.

    Mais calmo, sigo meu trajeto e chego ao estacionamento do trabalho. O GPS indica uma vaga, e o piloto automático se encarrega de estacionar. Mas faço questão de continuar no carro, até que esteja totalmente parado, só para garantir uma volta para casa tranqüila e rápida: deixo o motor funcionando, com as atualizações automáticas desligadas.

     

     



    Escrito por  Roberto Moreno às 22h02
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